E
então ela se apoiou no balcão e ficou estaticamente olhando seu reflexo no
espelho. O seu rosto estava inchado, os olhos avermelhados e o rímel todo
borrado. Ela não conseguia ao menos se mover; estava perdida por entre todas as
lembranças mortas dentro do seu coração.
[…] Pegou então na gaveta
seu batom predileto e em movimentos lentos e leves começou a passá-lo. Mas,
aquele batom vermelho já não fazia mais o mesmo efeito, já não conseguia mais
deixá-la ao menos feliz e aquilo a consumia. Ela não aguentava mais aquela
monotonia de por todas as noites madrugada a dentro deixar seu travesseiro todo
encharcado de um choro pesado e contínuo. Ela queria conseguir erguer a cabeça
e seguir em frente e a cada passo ir se desapegando do passado, das lembranças.
Ela apenas queria viver…
Sem nenhuma dor, sem
nenhuma mágoa, sem nenhum coração partido…
Simplesmente isso.
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